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Pão Diário
Devocional - Fé, mais ânimo, mais esperança é igual a perseverança. Uma nova mensagem a cada dia
O que está por trás de toda essa mobilização contra o "racismo" e a favor das "minorias"?
Por: Norma Braga
Como se sabe, a ministra Matilde Ribeiro, titular de um ministério de nome politicamente corretíssimo – Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir) –, afirmou em entrevista que a discriminação dos negros contra os brancos, “muito natural”, não se configurava racismo. Assim, se uma pessoa que se vê negra (não acredito em raças, muito menos no Brasil) se recusar a aceitar a presença de uma pessoa de cor mais clara, poderá manifestar seu desagrado sem medo de sanções penais; mas não o oposto. Chame isso de justiça, mas não conte comigo para chamar também.
E não, o argumento histórico não vale. A escravidão foi praticada tanto pelos brancos europeus que queriam comprar gente para trabalhar aqui quanto pelos africanos que queriam embolsar o dinheiro vendendo povos de tribos inimigas e socialmente inferiores às deles. O pecado veio de ambos os lados e teve uma motivação mais poderosa: cobiça. Na base da escravatura está, portanto, o fator econômico como preponderante, já que o processo dependeu de uma hierarquia entre povos de raça igualmente negra, subordinação típica de sociedades tribais. Se a Sra. Ministra crê como desculpável o desagrado do negro em relação ao branco em função do passado histórico, convém lembrar-lhe portanto que o açoite não foi praticado somente por mãos brancas. O racismo é uma condição secundária desse processo, e há pelo menos um sociólogo brasileiro, Demétrio Magnoli, que confirma o que digo em artigo no Estado de São Paulo: “O que existe é uma exclusão social e econômica dos pobres — entre os quais os de pele escura e também os de pele clara. É falso definir como problema racial o que é na verdade um problema social e econômico.”
Hoje, embora a progressiva miscigenação tenha diminuído bastante a chance de sentimentos racistas por parte do brasileiro – e ser racista no Brasil não é só burrice, mas perda de tempo –, não escapamos ao fato de que todas as épocas contam com um certo número de idiotas segregacionistas, com suas desculpas absurdas para atribuir uma inferioridade intrínseca não só ao negro, mas também ao pobre, ao nordestino, à mulher, ao gay. (NÃO É o que se faz na religião: o gay não é condenado como pessoa, mas a prática homo, sim. Assim como eu posso amar um filho mas deplorar nele o hábito de contar mentiras.) Com raras exceções, o racista brasileiro não costuma encontrar respaldo social para maltratar os outros. Porém, a depender de dona Matilde Ribeiro, a partir de agora encontrará: só o racista negro.
Isso, em nome de quê? Do ressentimento politicamente correto, resposta emocional bastante admirada e estimulada pela esquerda que domina o país. “Vinguem-se com o endosso do Estado”, parecem dizer os adeptos do pensamento PC. “Mas atenção”, frisam eles, “isso só vale se o negro quiser se vingar do branco, o homossexual do heterossexual, a mulher do homem, o pobre do rico.” Como se o pecado escolhesse raça, classe, sexo. Como se negros, homossexuais, mulheres e pobres não pudessem também cometer crimes de preconceito e atentado contra a honra.
Se não houvesse tantas cabeças pensando à moda de Marx, poderíamos deixar que a lei se encarregue de simplesmente punir injúria, calúnia e difamação, não importa de quem venha. Porém, escritas sob o calor do ressentimento, as novas leis – cotas em universidades, projeto de lei contra a homofobia – não são leis: são vingança. De que forma? Ora, as cotas punem o branco estudioso e esforçado, enquanto a lei da homofobia ressuscita o famigerado delito de opinião ao criminalizar o religioso que crê na Bíblia. Nos dois casos, negros e gays são tutelados como se fossem intrinsecamente mais frágeis que os demais seres humanos. (O caso de mulheres e crianças é diferente, pois precisam mesmo de proteção especial.) Acho que todos os negros e gays deveriam se insurgir contra esse evidente erro de julgamento. Os que o fazem têm o meu respeito.
Ainda que houvesse justiça nisso, uma sociedade construída sob o signo da vingança não irá muito longe.
Norma Braga é escritora, doutoranda em literatura francesa pela UFRJ, tradutora e professora de francês. Em seu blog pessoal, correlaciona cristianismo, filosofia e política.
Muito pertinente a opinião da escritora nomrma braga. Vale ressaltar que essa injustiça alicerçarda no Direito oportunista (pois há coisas que são legais, mais nem por isso, justas), é para atingir o alvo maior a sodomização da sociedade brasileira. Começando com combate ao raciscmo (contra negro somente) prepara-se a sociedade hedonista para um periodo de caça aos heterossexuais e todos quantos condeman o homoxessualismo.