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Pão Diário
Devocional - Fé, mais ânimo, mais esperança é igual a perseverança. Uma nova mensagem a cada dia
Comecei a minha caminhada cristã no início de 1981. Passaram-se 26 janeiros desde então. Mas eu jamais imaginei que um dia pudéssemos nos reunir num evento cristão, evangelical, reformado, com o título “Nossa Música Brasileira”. Confesso que eu não tinha esperanças de que isso pudesse acontecer. O acampamento “Som do Céu” já era para mim um céu musical que me bastava. Mas o NMB chegou e veio reunir um pessoal que definitivamente sonha e trabalha para ver a Igreja cantando músicas sem o ranço cultural do Atlântico Norte.
Antes do meu encontro com Jesus eu ouvia muita MPB, das mais variadas linhas: de Chico Buarque e Milton Nascimento a Altemar Dutra e Nelson Gonçalves, passando por Luiz Gonzaga, Demônios da Garoa, Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Boca Livre, Djavan, Jackson do Pandeiro, Rolando Boldrim, os mineiros do Clube da Esquina entre vários e vários outros. Confesso (e não me vanglorio disso não...) que Beatles nem Elvis Presley nunca fizeram muito a minha cabeça, embora alguns amigos próximos curtissem muito. Não foi falta de oportunidade.
Aí, de repente, adentro as portas da Igreja, e a sonoridade da qual me afeiçoava muda completamente. Havia até algum esforço da parte de uma pequeníssima minoria de fazer um som mais brasileiro, mas aquilo me soava algo como um samba de japonês ou um baião de iugoslavo. Não batia redondo não. Faltava suingue. Faltava uma melodia que realmente carregasse as características daquele estilo musical; soava forçado e inadequado.
Não estou aqui jogando pedra em ninguém. Eu me incluo nessa deturpação, pois gradativamente fui deixando de ouvir as músicas que ouvia antes e também fui perdendo o jeitão, infelizmente. No fundo, eu me perguntava: será que um dia vamos conseguir produzir verdadeiramente música brasileira? Ou será que jamais conseguiremos abraçar a nossa cultura musical totalmente? Acho que estamos caminhando a passos largos para essa realidade. Glória a Deus!
O grande contentamento que me leva a escrever esse artigo, é que no final de semana passado eu vislumbrei a terra prometida. Não sei se estou para Moisés ou para Josué... não sei se pisarei os meus pés nessa terra ou se trabalho para que a próxima geração usufrua. Mas o simples fato de vê-la, já me enche o coração de alegria.
O NMB representou muito para mim. Estavam reunidos ali representantes de uma geração incomodada com a mesmice musical que tomou conta da igreja brasileira. O fato de ajuntar os músicos Silvestre Khulmann, Glauber Plaça, Stênio Marcius, João Alexandre, Roberto Diamanso, Gilson Resende e este que vos escreve, foi um fato inédito. Comum a todos era a labuta pelo resgate da sonoridade verde-amarela.
Eu já conhecia pessoalmente alguns deles. Os demais eu já tinha conversado por e-mail e telefone. Lembro-me do Stênio no ano da minha conversão, cantando no Acampamento Louvor, em Goiânia, com o pessoal dos Jovens da Verdade e Grupo Atos. Com eles aprendemos algumas músicas que anos mais tarde se tornariam parte do repertório do primeiro LP do Expresso Luz – “Seara” e “Sinta o amor”. Dois anos depois, em 1983, no Acampamento Jovens em Cristo, Parelheiros (SP), vi um garoto virtuose acompanhando Vencedores Por Cristo com seu violão. Era uma das primeiras apresentações do João Alexandre com o grupo. Ali mesmo iniciamos uma amizade que perdura até hoje. Vale a pena citar que essa equipe de VPC fez história. Ela foi a base daquele que viria a ser, anos mais tarde, o Ministério de Louvor e Adoração – MILAD, sob a batuta do Nelson Pinto Júnior.
Conheci o Gilson Resende nos anos 90, quando MPC e VINDE realizavam juntos os Congressos para Juventude em Guarapari (ES). Obreiro da missão Jovens da Verdade e inseparável companheiro do Jaziel Botelho naquelas alturas, eles sempre estavam juntos conosco nas ministrações para a rapaziada.
Silvestre, Glauber e Diamanso conheci mais recentemente. Fomos aproximados pela coluna “Novos Acordes”, na revista Ultimato. Tive o privilégio de apresentar os seus trabalhos aos leitores desse importante periódico.
São todos eles músicos de alto nível e representam o que de melhor a música cristã brasileira produz nos dias atuais, ao lado de tantos outros como Gerson Borges (SP), Céu na Boca (Brasília), Vandilson Morais (Campina Grande), Gladir Cabral (Criciúma), Baixo e Voz (Ribeirão Preto), Atilano Muradas (atualmente nos EUA), Priscila Barreto (SP), Shirley Espíndola (Jundiaí), Sal da Terra (Garanhuns), Crombie (Niterói), Tiago Vianna, Fabinho Silva (São Paulo) e mais umas centenas de tantos outros que não se dobraram diante do deus-mercado. Isso sem falar dos já consagrados pelo tempo de estrada como Nelson Bomilcar, Expresso Luz , Quarteto Vida, Jorge Camargo, Guilherme Kerr, Aristeu Pires etc.
O “Nossa Música Brasileira” aconteceu e de agora em diante se tornou uma necessidade. Deixou um gostinho de quero mais. As participações do Ariovaldo Ramos e do Gedeon vieram trazer o equilíbrio necessário entre a produção e mostra da arte e a reflexão bíblico-teológica e sociológica, fundamentais para uma leitura crítica de nós mesmos.
Fiquei sabendo que Raquel do JV já está se preparando para o próximo. Eu espero que o NMB se torne mais do que um evento. Desejo que se torne um movimento e que agregue muitas outras forças para juntos construirmos um panorama mais diversificado para as artes no Brasil. É um sonho... e estamos muito perto de realizá-lo, com a graça de Deus.
ATENÇÃO: Em breve estarão prontos os DVDs gravados neste evento. Caso queira ser comunicado por e-mail sobre disponibilidade dos mesmos, envie-nos uma mensagem clicando aqui.
(1872 leituras)
Comentários neste assunto:
Nossa Música Brasileira | 5 comentários | Registre-se
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Eu estive neste encontro, foi maravilhoso, Carlinhos e a banda foral DMAIS! gostei do seu texto Carlinhos. Vamos continuar nesta luta de resgatar a nossa música brasileira! Jasiel Botelho.
Vi o Carlinhos tocando no Congresso Missionário da ABUB, em 2006, foi muito legal, tenho ainda os vídeos do evento.
A proposta de resgatar nossas raízes culturais e adorar a Deus por meio delas é sensacional, ainda que o movimento evangélico esteja de certa forma "poluído" por uma musicalidade simplória.
O Carlinhos com seu jeito tímido de ser mas com muita seriedade e compromisso no que faz tem influenciado muitas pessoas por este nosso Brasil a fora. Para quem não sabe ele é pastor presbiteriano em Brasília. Vale a pena conhecer um pouco mais do seu trabalho. Entre em seu blog: http://carlinhosveiga.blogspot.com/
Como já escrevi para ele, o Carlinhos, acho ótima a idéia de resgatarmos os valores da nossa cultura no culto no que tange à música, muito embora eu creia que para alcançarmos outros povos precisamos nos fazer como um deles, pois Jesus se fez gente sendo Deus para se comunicar com gente. Penso que para o nosso contexto, usar a nossa música com caractrística 100% brasileira deveria prevalecer,sim, mas não desprezando a boa música de fora, tanto para comunicar a Mensagem a outros povos quanto ao louvor congregacional em nossos cultos. Defendo uma música universal, porém, dando o merecido valor à nossa cultura musical, que é riquíssima. Valeu, Carlinhos. Com todo meu respeito, Moisés
Acho que extrema importância esta discussão sobre a contextualização da musica, por anos o protestantismo para se firmar aqui no Brasil teve que negar muita coisa, mas ja é uma realidade agora, e precisamos fazer um garimpo muito profundo para resgatar a nossa cultura e deixar elemento das outras religiões, precisamos resgatar nao só a musica, como as festas brasileiras, a dança, a arte e assim vai! Deus pediu para separarmos do pecado e nao do Brasil!