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Pão Diário
Devocional - Fé, mais ânimo, mais esperança é igual a perseverança. Uma nova mensagem a cada dia
A igreja é uma comunidade escolhida e chamada para adorar a Deus. Em Apocalipse
4:9-12, os vinte e quatro anciãos "se prostram diante daquele que está assentado
no trono e adoram aquele que vive para todo o sempre. Eles lançam as suas coroas
diante do trono, e dizem: 'Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a gloria,
a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas
existem e foram criadas'". A palavra grega empregada em Apocalipse 4 é proskuneo
e denota o ato de inclinar-se ou prostrar-se em inferioridade, submissão e
profunda reverência. A Igreja, enquanto estiver aqui na terra, é chamada por
Deus a adorá-Lo, a unir-se aos anjos e aos santos na festa gloriosa (Hb
12:22-29).
Isso segue sua rica e vasta herança judaica. Lembremos que Moisés havia pedido
ao faraó que liberasse o povo para que eles pudessem adorar ao seu Deus (Ex
5:1). É importante que esta ligação entre o Israel histórico e o novo Israel (igreja)
de Deus seja estabelecida. Robert L. Saucy escreve:
Adoração é central na existência da igreja. As palavras do apóstolo Paulo de que
Deus escolheu e predestinou como filhos, por meio de Jesus Cristo, "para o
louvor da glória de sua graça (Ef 1:4-6), sugerem que o propósito último da
igreja seja a adoração daquele que a chamou à existência. Pedro, da mesma forma,
chama a igreja de sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais
aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo" (1Pe 2.5). Esta adoração envolve
proclamação das "grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz" (1Pe 2.9) (Saucy, ano, pág).
Mas o que significa adorar? Recentemente, a adoração tem sido reduzida
simplesmente a um período de hinos ou cânticos. Encontramos impressos nos
programas de igrejas, por exemplo: Adoração (25 minutos – cânticos espirituais,
coreografias, bandas), anúncios, a mensagem, etc. Uma das melhores definições
encontra-se nos escritos de William Temple. "Adoração é uma consciência clara de
sua santidade, nutrição da mente pela sua verdade, purificação da imaginação
pela sua beleza, abertura do coração ao seu amor e submissão da vontade ao seu
propósito. Toda esta junção acima da adoração é a maior das expressões de qual
somos capazes" (William Temple, ano e pág). O que mais me impressiona nela é sua
integralidade, sua totalidade. Na sua conversa com a mulher ao lado do poço,
Jesus falou do dia em que a adoração não seria mais em um lugar específico com
todos os seus rituais, mas seria realizada "em espírito e em verdade" (Jo 4:24).
Adoração toca e transforma nosso relacionamento com Deus de forma integral, em
suas várias dimensões: pensamentos, sentimentos, inclinações do coração,
escolhas, vontade, e desejos. É submissão de toda a nossa natureza, de toda a
nossa essência a Deus. A adoração exige um compromisso de fé e de total entrega
de si mesmo para Deus.
Martinho Lutero disse de maneira tão simples que o propósito definitivo do
louvor é que o povo "se reúna para ouvir e discutir a Palavra de Deus e então
louve a Deus com canções e orações". Assim, a adoração é uma dualidade:
revelação e resposta (White, 2000, p. 23). Clowney identifica três marcas da
verdadeira adoração: "pregação", "oração" e "cântico" (Cloney, p. 129 – 136).
Uma adoração significativa inclui a pregação da Palavra, oração – individual e
coletiva - canções de louvor e adoração e a entrega de dízimos e ofertas. As
Escrituras não dão uma definição exata de adoração, mas o significado pode ser
determinado a partir dos termos empregados e de passagens que descrevem seu
caráter. Na verdade, a essência da adoração pode ser resumida como "a entrega
completa de si mesmo a Deus nas ações e atitudes da vida" (Rm 12:1,2). Irineu
nos diz que "a glória de Deus é um ser humano completamente vivo. Nada glorifica
Deus mais do que uma pessoa santificada; nada é mais eficiente para tornar uma
pessoa santa do que o desejo de adorar a Deus" (Whyte, 2000, p. 24).
Entretanto, a adoração vem de Deus e retorna para Ele. A sua glória, amor e
beleza levam Seu povo a dar-Lhe louvor. "Os céus declaram a glória de Deus" (Sl
19:1). Em adoração, entramos conscientemente na presença do Santo e Poderoso
Deus. Ele e somente Ele é o único objeto da nossa adoração. Os serafins
declaravam "Santo, santo, santo é o Senhor todo-poderoso", com asas cobrindo as
suas faces (Is 6:1-3). Ele proíbe o seu povo de adorar ídolos (Dt 4:23-24)
porque os adoradores de ídolos fazem todo o tipo de coisas repugnantes que o
Senhor odeia, como queimar seus filhos e filhas no fogo em sacrifícios aos seus
deuses. Apliquem-se a fazer tudo o que eu os ordeno; não acrescentem nem tirem
coisa alguma (Dt 12:30-32), escreveu Moisés. Adoração começa com temor e
reverência por parte do adorador por causa de quem Deus realmente é! Só Ele é
digno. Ele é santo. Ele está presente na adoração, que começa com a contrição do
coração antes de explodir em louvor. Durante a adoração, o foco é a nossa
colocação diante da presença do Deus Santo. Temos uma visão da santidade de Deus
e somos capacitados a ver o mundo através dos Seus olhos e a sentir compaixão
pela humanidade decaída. Nossas posições e posses, ações e realizações não
importam. Formas e estilos tornam-se secundários. Na adoração, é necessário
haver formas equilibradas, porque Deus é o Deus da ordem e da liberdade, pois
onde está o Espírito, ali há liberdade. Quanto à forma, é possível ser tão
inflexível que a adoração se torne insípida. Quanto à liberdade, é possível
haver confusão. Tanto a forma quanto a liberdade estão sujeitas à verdade de
Deus.
Devido às particularidades das culturas e às preferências humanas, os padrões de
adoração irão variar. A igreja não deve cair na armadilha da uniformidade. Ela
deve permitir liberdade de espírito e mutualidade de respeito no que se refere à
adoração. No entanto, ela também deve evitar as tendências narcisistas,
intimistas, subjetivas e a horizontalização. Numa época da igreja eletrônica,
shows da fé, coreografias high tech, modelos judaizantes, unções criativas de
animais, forte entusiasmo e cânticos centrados no eu, devemos lembrar que a
Confissão de Westminster oferece um bom princípio, especificamente para a
adoração:
O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é
limitado pela sua própria vontade, que ele não pode ser adorado segundo as
imaginações e invenções do homem, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer
representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas
Escrituras (Confissão de Fé de Westminster, XXI.1.).
Na adoração, o povo de Deus declara a sua própria história sagrada. Através da
adoração os cristãos vivem a sua história sagrada e comemoram os eventos de
salvação na história. Nestes momentos, "o próprio Cristo está presente e atua
através da igreja, a sua eclesia, enquanto ela atua com ele" (Whyte, 2000, p.
25). O que Cristo fez no passado "é dado novamente ao adorador para que ele
experimente e se aproprie disto no presente. É uma forma de se viver com o
Senhor. A igreja apresenta o que Cristo fez através da revivificação que a
congregação adoradora faz destes eventos." (Whyte, 2000, p. 25). Ao fazer assim,
a igreja preserva a história de Deus e a coloca na memória da próxima geração.
Através da adoração, indivíduos são moldados e tomam a forma de um determinado
povo – o povo do reino – que é chamado e equipado para manifestar a vida dentro
da esfera do governo gracioso e libertador de Deus.
A Bíblia diz que o povo não deve se apresentar diante de Deus com suas mãos
vazias. Eles devem ofertar do seu tempo – naquele que é o primeiro dia da semana.
Jesus "no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume" (Lc 4:16). O
contexto sugere que "ele participava da adoração ali" (Kuiper, p. 346). O
escritor de Hebreus advertia os seus leitores a que não deixassem de reunir-se
em assembléia (Hb 10:25). O Sábado deveria ser observado na adoração. Os
cristãos devem ofertar de suas energias, tempo, dons, talentos, etc. O povo é
chamado para celebrar a Deus e a sua nova vida Nele. Eles devem relembrar com
gratidão que é Deus quem concede todas as coisas das quais desfrutam. Como povo
de Deus, eles são parceiros de Deus na execução da Sua missão no mundo. Os
crentes devem ofertar dos seus talentos, o seu melhor para o Senhor.